sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Um homem no esgoto
Na época, o que vi foi muito forte e me deixou um terrível gosto amargo de remorso que custei a "esquecer". Que voltou tão fresco e imbatível como a própria lembrança da cena que ressuscitou das cinzas do meu passado...
Não me lembro para onde estava indo, eu viajava num ônibus nas ruas de São Paulo, sentada ao lado da janela por onde eu olhava distraída as cenas urbanas da metrópole onde vivia. Numa esquina, o farol fechou e o ônibus parou, à beira de um dos muitos rios que cortam a cidade, naquela época ainda sem canalização, puro esgoto a céu aberto.
Olhando pela janela, chamou-me a atenção um homem de pé dentro desse rio. A água lhe cobria os tornozelos e ele estava totalmente nu. Nas mãos um sabão que ele esfregava na sua cabeleira, fazendo muita espuma que escorria pela nuca e costas. Ele estava tomando banho! naquele rio cuja água era quase preta, e aos olhos de quem passasse por ali.
Mas ele não parecia constrangido; ao contrário, eu quase conseguia ouví-lo cantar. A sua nudez era tão inocente como a de uma criança, e o homem estava feliz com o seu pedaço de sabão e água do rio que lhe permitiam tomar um banho. Depois de quanto tempo?... pela trouxa disforme abandonada na margem do rio, era claro que se tratava de um indigente. Um "loser", um perdedor expulso da sociedade constituída, sem lar, sem emprego, sem os itens mais básicos de uma vida "civilizada", e eventualmente sem mais pudores ou raciocínio que caracterizam a mesma sociedade a que ele não pertencia mais. Mas o prazer de um banho e do asseio ele não havia perdido.
Um borbulhinho dentro do ônibus, os demais passageiros também perceberam o homem no rio. Ouvi comentários, alguns jocosos, outros irados, e eu fuzilei os passageiros com meu olhar. O meu coração estava em rebuliço, não sabia se o que sentia era uma empatia muito grande pelo homem feliz ou uma grande raiva pelo mundo que o condenou à tamanha miséria que o obrigava a tomar banho no esgoto.
O meu impulso era de descer do ônibus e tentar ajudar o homem a reencontrar o caminho de volta à "civilização". Mas o que eu poderia fazer? Era jovem e ignorante, também desempregada, não tinha dinheiro siquer para saldar o aluguel do mês, e vivia numa cidade hostil e desconhecida, sem ninguém que me amparasse. E essa mesma cidade não iria amparar esse homem tampouco se até aquele momento não o tinha feito.
O sinal abriu, o ônibus reiniciou o movimento. A cena do banho ficou para trás, e pessoas pareciam esquecer em seguida o que haviam acabado de presenciar. Eu permaneci sentada, igual aos demais passageiros, não tomei nenhuma atitude que a minha consciência ditava que devia.
Passadas décadas desde então, os costumes mudaram mas a miséria continua e a inocência cada vez mais conspurcada. Hoje vemos crianças se prostituindo e consumindo drogas nas ruas sob olhar de todos que passam ao seu lado, igual aos transeuntes que assistiram à cena do homem no rio. O consumo de droga me parece uma tentativa de buscar a felicidade que a sociedade lhes nega como negou àquele indigente. Mas aquele homem encontrou uma brecha e viveu um momento de genuína felicidade num banho, enquanto que as crianças pobres de hoje estão presas nas mãos da parcela da sociedade que é mais do que indiferente, é criminosa. Há que se fazer algo por elas, basta de comodismo. Dizer que o esforço individual não resolve os problemas do mundo é tentar justificar o injustificável, como eu tentei no passado sem conseguir me convencer.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Ética vs Plágio
Um dos motivos é, obviamente, a falta de tempo, mas essa não é a "melhor" nem a mais premente das minhas motivações (ou falta de...) Outra é falta de recursos deste computador e impossibilidade financeira de dar um upgrade na máquina. Mas essa também é um fato que já vem ocorrendo há muito tempo e portanto não constitui uma desculpa irrecusável.
Mas há um fato que ao descobrir me deixou bastante triste e aborrecida, causando um desgaste muito grande na minha motivação em continuar postando com frequência.
É que encontrei dois blogs onde os meus textos eram reproduzidos ipsis littere e sem crédito à autora original, no caso, eu.
Nunca tive grandes pretensões desde que abri este blog. A minha intenção ao montá-lo era e continua sendo um laser pessoal e um registro de pensamentos do cotidiano para mim, do que propriamente um canal para fazer amigos ou divulgar idéias e convencer os leitores... Para fazer amigos (no mundo virtual), há outros meios como foruns, MSN e orkut, e não me sinto capacitada para convencer outros das minhas idéias, já que elas nem siquer são originais ou inovadoras, e conheço muitas pessoas muito melhor preparadas e respeitadas para serem formadores de opinião.
Mas mesmo que as minhas idéias sejam não-originais, elas são minhas na medida em que elas brotam dentro de mim. (É claro, em consequência de estímulos que recebo deste mundo.) E ao expô-las aqui, o que me motiva é também compartilhá-las com leitores, sem dúvida. E se encontro ecos nos seus pensamentos e emoções, que maravilha! ficaria orgulhosa e feliz.
E quando me deparo com algum texto que melhor descreve essas idéias, tenho o maior prazer de apresentar o autor do texto, além de avisá-lo sobre a reprodução do seu texto para publicar aqui. Esse tem sido o meu procedimento, pois creio que dar crédito devido ao autor é, além de uma obrigação imposta pela ética, um sinal de respeito e admiração para com o mesmo que soube escrever melhor do que eu sobre "minhas" idéias e sentimentos daquele momento.
Entretanto, parece que essa minha atitude não é compartilhada por alguns leitores. Não que eu fique triste por ter o meu texto publicado em outros blogs. Ao contrário, se alguém o reproduziu, é por que esse alguém gostou do meu texto, e é gostoso saber que tem gente que aprecia o que escrevo. Mas publicá-lo como se fosse da sua autoria, sem citar a fonte, é plágio e é falta de ética e respeito.
E porque eu tenho por hábito tentar respeitar os outros e ser a mais ética possível, creio que inconscientemente esperava o mesmo dos demais, daí o choque. Mas talvez eu não devesse ficar tão aborrecida, afinal sei que muitos blogueiros também já sofreram o mesmo. (Num dos blogs de culinária que acompanho, o autor colocou marca-d'água nas fotos dos seus pratos para evitar "roubo" das imagens, além da receita).
Mas, então... Não há como colocar algo semelhante à marca-d'água nos textos e muito menos registrar cada texto de um blog no INMP (Instituto Nacional de Marcas e Patentes), rsrsrs! O que preciso é de um tempo para me recompor. E decidir se devo aprender a relevar esses comportamentos anti-éticos de alguns leitores ou engrossar a fileira de combatentes na linha de frente da batalha contra a falta de ética que grassa sem piedade a nossa sociedade em todos os setores.
domingo, 28 de junho de 2009
Opção Alimentar e Animais de Estimação
A maioria dos vegetarianos e vegans usa argumentos de elevado conteúdo moral e ético para dispensar o uso de produtos provenientes de animais (seja mamíferos, aves ou peixes), com os quais concordo, em parte. De fato, os animais - mormente o gado e outros animais criados para serem consumidos pelos humanos - sofrem muito para fornecer esses produtos, desde que nascem até a sua morte. Mas, não posso concordar com o argumento de "assassinato" desses animais como razão para não consumir os produtos derivados da sua morte.
Estamos no topo da cadeia alimentar, e como seres onívoros "adquirimos o direito" de consumir a carne, do mesmo modo que há outros animais carnívoros que morreriam se deixassem de comer carne de outros animais.
Amo todos os animais e gostaria de vê-los todos - carnívoros ou herbívoros - compartilhando o planeta em igualdade de direito e respeito que os humanos arrogam para si. E entre todos esse animais, em particular amo os meus animais de estimação. Atualmente só tenho uma gata, mas já tive dezenas de cães e gatos, todos recolhidos das ruas e muito bem cuidados desde então, e teria muitos novamente se não fossem as condições econômicas e de moradia que no momento me impedem de aumentar a família.
E quando falo em cuidados com esses animais de estimação (cães e gatos), o item mais básico é a sua alimentação. À base de ração, claro, pois nenhuma comida caseira supre todas as necessidades desses animais. E... essas rações são todas feitas com carne, obviamente! Mais precisamente, com as sobras provenientes dos abatedouros destinados ao consumo humano.
Alguns vegans e protetores de animais (claro, não todos!) falam da sua abstinência como parte da sua luta contra a crueldade da criação e do abate e esperam que a ausência de consumo force os poderes econômicos a desistirem da sua fonte de receita (criação ou pesca). Tento imaginar, então, como essas pessoas conciliam a alimentação adequada dos seus animais de estimação com a sua convicção. Ou, será que a sua abstinência pelo consumo de produtos de origem animal é realmente eficaz no combate à crueldade, se não se consegue evitar de alimentar os seus animais carnívoros com ração?...
Penso que a proteção animal deve promover a evitação de tratamentos cruéis, mas não a abolição total da criação e abate (ou pesca). E assim, essa promoção pelo bem-estar dos animais que nos servem com a sua morte não passa pela abolição da carne nas nossas mesas ou uso e consumo de produtos de origem animal, mas por outros movimentos que permitam a esses animais terem a vida e a morte com a dignidade que merecem. E esses, sim, são movimentos que devem ganhar força e sair às ruas, com a máxima urgência!
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Ecos do passado
Hoje, por uma coincidência, re-encontrei o site e, como visitante, acessei os meus escritos para perceber que a maioria deles não têm valor literário algum, de fato. Mas uma publicação me pareceu merecer a sua reprodução aqui, devido ao tema que continua polêmico e sem grandes soluções. Eis o texto:
Alcides
A imagem da fome, da miséria está aí, todo dia, em cada esquina, em cada jornal, em cada olhar de pesar e de medo dos amigos. Todo dia, toda semana, todo mês... entra ano, sai ano, e a miséria é a mesma, só muda de rosto e de lugar, se e quando mudam. A consternaçãotambém é a mesma... entra ano, sai ano, sempre se diz e ouve-se dizer "é uma vergonha, é uma pena", e nem a pena nem a vergonha se atenuam, só mudam de boca e ouvidos, mudam de idade e cidade, mas continuam as mesmas.
Acho que de todos os medos, o pior é o de sentirmos impotentes. Incapazes de mudar o que parece imutavelmente terrível na sua profundidade e dimensão. E aí? Se não é possível lutar, o melhor é se adaptar? Seria essa a resposta, consciente ou não, das pessoas? (Já ouviram um ditado horroroso que diz: "se o estupro é inevitável, relaxa e goza" ?) O que observo é que, de tanta enxurrada de imagens da miséria, nós ficamos um tanto calejados, insensíveis, e quando se torna inevitável encará-la de frente, muitas vezes a reação é de violência... verbal, ou até física às vezes, na tentativa de se livrar da evidência o mais rápido possível.
Há muitos, muitos anos atrás, eu estudava à noite numa escola e ali perto havia um lanchonete que se tornou o nosso "point" após a aula. Dez e meia da noite e lá estávamos, colegas e professores, numa roda animada de conversa de "alto nível" regada a chopp, batatinha frita, lanches. Havia um bando de crianças por ali... eram conhecidas como exímios batedores de carteiras, embora nós não soubéssemos disso. Alguns dias depois que nosso happy-hour se tornara um hábito, essas crianças resolveram se aproximar, pedindo dinheiro. Imediatamente, o dono do lanchonete chegou, expulsou-os dali a altos brados, e pediu-nos desculpas... Por que ele deveria pedir desculpas? "Ah, esses moleques são o terror daqui, uma praga pra nós, comerciantes. Eles roubam, assaltam, cheiram cola... um horror! Já chamamos polícia, FEBEM, mas eles fogem, e aparecem dias depois... não têm jeito"
Dito e feito, na noite seguinte, elas estavam lá outra vez, esmolando. Uma delas me puxou pela manga e disse: "tiaaa, me dá um trocado? tô com fome". Eu (que ingênua!) me virei e olhei nos seus olhos. "Tá com fome? posso te pagar um lanche, então, porque dinheiro não dou". O moleque abriu um enorme sorriso e me agradeceu: "tá, tia, brigado!" O dono do lugar já vinha com vassoura na mão pronto a bater no garoto e a expulsá-lo como de sempre, mas diante do nosso protesto voltou atrás e o garoto ficou. Só ele, os outros já haviam fugido dali. "Vê como se comporta, heim, moleque, nada de perturbar os fregueses!" o dono advertiu, mas se afastou. O garoto ficou ali, de pé, meio escondido atrás de mim, a sua protetora! O lanche pedido chegou, um professor, então, disse para o garoto puxar um banquinho para comer. Nós vimos, então, no rosto encimando um corpo franzino, coberto de roupa encardida e cabelo pastoso, um par de olhos brilhantes de alegria e orgulho por sentar-se à mesa de "gente importante"... Ali estava, emergindo de um rótulo, um pedaço de gente, um ser humano, uma criança com rosto, nome, sentimentos e memória.
"Qual o seu nome?"
"Alcides"
"Quantos anos você tem, Alcides?"
"Oito, tia"
"E o que faz aqui, tão tarde da noite, não tem casa?"
"Tenho, eu volto pra lá no último ônibus, ele passa daqui a pouco"
"Tem pai? mãe? não vai à escola?"
"Meu pai não mora com a gente, graças a deus, moro com minha mãe e meus irmãos"
"Por que fica na rua até tão tarde, então?"
"Tia... tá vendo aquele moleque alí, perto do poste? toma cuidado com ele, tá, tia, ele é perigoso..."
"Eu trabalho pra ele... ele já teve na febem, já espetou gente..."
"E se eu não trabalho, ele pode me machucar..."
"Depois, é sempre bom levar uns troquinhos pra casa também... às vezes eu levo leite e pão pros meus irmãos"
Foi assim que conheci Alcides. Ele passou a ser uma espécie de meu protegido, vinha todas as noites e ganhava um lanche, depois passou a ganhar também uns afagos, e por fim ganhou também colo. Ele parecia que jamais havia sentado no colo de alguém, agarrava a minha mão, levava-a ao seu rosto, queria que eu o apertasse, que o penteasse... Meus colegas me toleravam, achavam que eu era louca por permitir um fedelho abusar de mim. Alguns achavam que era ótimo que eu usasse o garoto para acalmar as minhas culpas sociais, mas me advertiam que, no final, eu nada fazia para melhorar o mundo, e que possivelmente eu fazia mais mal ao moleque do que bem.
A história de Alcides é a mesma de todas as crianças, eu acho. Filho de lar desfeito, vítima da miséria econômica e humana, crescera nas ruas e a troco de supostas amizades iniciou a sua carreira de batedor de carteira. E era um dos melhores no ofício, segundo ele. "Mas, olha, tia, eu sei o que não devo fazer, tá? nunca roubei velhos, nem gente pobre, nunca cheirei cola, nem fumei nada, eu sei que isso derrete os miolos, e eu não quero... um dia eu quero ser bombeiro... Aí, arrumo um bom barraco pra minha mãe e pros meus irmãos..."
Uns dois meses depois, o bando de Alcides subitamente desapareceu. Na correria entre provas e trabalhos, a turma do happy-hour havia diminuído de número e freqüência. Perguntei ao dono do lanchonete pelo bando, ao que ele respondeu que uma batida policial durante o dia havia dispersado o bando. "Graças a deus! moça, eu não queria te dizer, mas aqueles moleques são gente ruim! tem até um assassino no meio! sorte sua que ninguém te incomodou até agora, mas toma cuidado com essa gente!"
Algumas semanas depois, o bando reapareceu, sem o Alcides. Contrariando o conselho dado, resolvi abordar um deles que às vezes ganhava um lanche dos meus colegas, porque o meu protegido dizia que aquele moleque era boa gente. O amigo me contou que Alcides fora encaminhado ao FEBEM por determinação judicial, já que a mãe dele havia desaparecido e a avó se recusava ficar com o neto. Eu ofereci a ele o lanche que seria do Alcides. Ele agradeceu, comeu... e foi a última vez que vi esse bando de crianças.
Nunca mais vi ou tive notícias do Alcides. Onde estará ele agora?... Se vivo, ele teria hoje seus 23-24 anos, idade bastante para ser bombeiro. Tomara que meus colegas tivessem errado, que ele tenha conseguido se sair bem, apesar da impotência desta tia que não pôde ajudá-lo na sua infância.
(Publicado incialmente em 12/05/2006)
quinta-feira, 19 de março de 2009
Daqui a 20 anos...
Daqui a 20 anos, bebês que estão nascendo hoje estarão apenas chegando à idade de assumir suas responsabilidades como cidadãos, herdando o mundo que nós estamos hoje desenhando para eles.
Pois, olha só a previsão para daqui a 20 anos:
O aumento da população mundial e das demandas por água, energia e alimentos poderão provocar uma "catástrofe" em 2030, segundo previsões do principal conselheiro científico do governo britânico.
Segundo John Beddington, cientista britânico, com a população mundial estimada em 8,3 bilhões de pessoas em 2030, a demanda por alimentos e energia deve aumentar em 50%, e por água potável deve aumentar em 30%.
As mudanças climáticas devem piorar ainda mais a situação, vai advertir o cientista nesta quinta-feira, na conferência Desenvolvimento Sustentável RU 09, em Londres.
(...)
"Minha principal preocupação é com o que vai ocorrer internacionalmente, vai haver falta de alimentos e de água", prevê o cientista.(...) O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) prevê falta de água generalizada na África, Ásia e Europa até 2025. A quantia de água potável disponível por habitante deve diminuir dramaticamente neste período.
(...)
Melhorar globalmente a produtividade agrícola é uma forma de combater o problema, afirma Beddington. Atualmente, se perdem entre 30% e 40% de toda a produção, antes da colheita, por causa de pragas e doenças.
"Temos que procurar uma solução. Precisamos de mais plantas resistentes a pragas e doenças, e de melhores práticas agrícolas e de colheita", afirma Beddington.
(...)
De acordo com o cientista, também são essenciais melhorias na estocagem de água e fontes de energia mais limpas. John Beddington está a frente de um subgrupo de um novo departamento do governo criado para combater a segurança alimentar.
(Fonte: BBC Brasil - 19/03/09 07:53)
Pois bem... o que estamos fazendo hoje? É tão visível o efeito devastador da poluição e desmatamento que a humanidade tem causado ao longo da sua civilização (que se baseia na ganância imediata e egoísta), será que o povo ainda não percebe? Não é mais problema de um futuro distante, desvinculado de nossas ações e responsabilidades individuais, é o nosso próprio futuro e o futuro dos nossos filhos que estão em jogo.
Se qualquer questão "supérflua" já é motivo para iniciar uma guerra, quanto mais a FOME e a SEDE dos povos!
20 anos são apenas 5 governos, o atual presidente parece que se elegeu ontem e já caminha para o final do seu segundo mandato. Há a necessidade urgente de os políticos brasileiros (e do mundo inteiro, claro!) encararem com seriedade a questão e, deixando de lado a mesquinhez e o imediatismo, tomar HOJE as medidas de longo prazo para fazer frente à carestia generalizada que se avizinha e coloca em risco mortal a sobrevivência pacífica de toda a humanidade.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Dia Internacional da Mulher: o que comemorar?
Após excessos e exageros tanto das feministas como dos acuados homens, parece hoje que a mulher garantiu o seu espaço no mercado de trabalho e razoável respeito pela sua capacidade de contribuir com a sociedade nos mais diversos segmentos. Parece... mas, será que é essa a realidade?
Encontrei esta manhã, entre as manchetes de jornais virtuais, a seguinte notícia, que reproduzo abaixo na sua íntegra. O link para a manchete original é este.
"Brasil ocupa a pior colocação em ranking de diferenças salariais entre os sexos
por Marcia Bizzotto, de Bruxelas para Agência BBC Brasil
As mulheres brasileiras recebem, em média, salários 34% inferiores aos dos homens, a maior diferença registrada entre os 20 países pesquisados para um estudo divulgado nesta quinta-feira pela Confederação Sindical Internacional (CSI), com sede em Bruxelas.
O resultado no Brasil supera a média dos países pesquisados pela CSI, que é de 22% de diferença entre as remunerações entre homens e mulheres durante o ano de 2008.
Calculadas com base em entrevistas realizadas com 300 mil trabalhadores entre 16 e 44 anos de idade em 20 países - 35.152 deles brasileiros -, as estatísticas da CSI contradizem os números oficiais dos governos, segundo os quais as mulheres de todo o mundo ganhariam, em média, 16,5% a menos que os homens.
Segundo a CSI, depois do Brasil a África do Sul é o país com a maior diferença salarial, de 33%, seguida por México e Argentina, onde as mulheres recebem, respectivamente, remunerações 29,8% e 26,1% mais baixas que os homens.
Por outro lado, a Índia é o país onde as condições são menos díspares entre os pesquisados, com uma diferença salarial de 6,3%.
Grã-Bretanha, Dinamarca e Suécia vêm em seguida, com diferenças de 9%, 10,1% e 11%, respectivamente.
Múltiplas causas
Para Sharran Burrow, presidente da CSI, trata-se de um problema de múltiplas causas.
O estudo indica que, de forma geral, as mulheres com um "nível de qualificação superior" enfrentam as maiores diferenças salariais, o que poderia ser atribuído à discriminação no mercado de trabalho, evidente na "maneira como os empregadores concedem promoções aos postos mais altos e nas deficiências em relação à proteção à maternidade".
Segundo o relatório, o resultado também pode ser atribuído "ao fato de que um maior número de mulheres que de homens ocupa postos de trabalho de tempo parcial ou que exijam menor qualificação em relação ao seu nível de estudos (geralmente pior remunerados), porque tem que trabalhar e cuidar da família ao mesmo tempo".
Globalmente, entre 40% e 50% dos entrevistados disseram ter dificuldade para conciliar a vida profissional e familiar. Entre 43% e 57% dessas pessoas eram mulheres, enquanto entre 34% e 40% eram homens.
Isso também faz com que a diferença salarial aumente com a idade, já que "os cargos de alto nível estão relacionados à experiência e aos anos de trabalho", segundo o estudo.
"Os homens têm geralmente mais tempo de trabalho que as mulheres, porque elas geralmente assumem a maior parte das responsabilidades familiares", conclui a pesquisa.
A CSI engloba 312 sindicatos de 157 países, que representam juntos um total de 170 milhões de trabalhadores. "
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O que temos a comemorar nesta data que nos homenageia? Se de um lado são inegáveis as muitas conquistas que o feminismo trouxe à mais de metade da população mundial, percebe-se também claramente que há ainda muita luta pela frente para conseguirmos a verdadeira igualdade de direitos. O espaço conquistado no mercado de trabalho acabou trazendo consigo mais obrigações do que direitos às mulheres, uma vez que a maternidade é função exclusiva das mulheres, sem a contrapartida necessária da divisão de tarefas domésticas para as trabalhadoras, ainda mais nestes tempos em que a instituição familiar está sofrendo um desmonte das estruturas antes estabelecidas, com reflexos tanto no exercício da profissão em si como na educação e preparo das crianças para o exercício futuro da cidadania.
Sem dar as costas às conquistas já asseguradas, acredito que a data serve como um convite e chamamento imperioso para a reflexão de todos, homens e mulheres, sobre o papel de cada um neste mundo de rápida transformação.
domingo, 18 de janeiro de 2009
Violência Global
O pior é que essa onda de violência e políticas imorais ao redor do mundo parece estar acontecendo a metros da nossa casa, devido ao progresso da informação. O que, ao meu ver, acaba muitas vezes "contaminando" a mentalidade de quem recebe as notícias. Num telejornal de grande audiência, mais de 70% do tempo (às vezes até mais... eu cronometrei por uma semana) é ocupado com notícias de violência (guerra, acidentes, homicídios e outros crimes) e ou das iniquidades políticas. E excesso de estímulo costuma dessensibilizar, isso é amplamente conhecido e usado nas terapias do comportamento. Pois, excesso de exposição aos fatos e cenas de violência deve influir no descaso com que pessoas reagem à dor alheia, e facilitar a sua própria reação violenta diante de frustrações desde as graves até as mais banais...
Violência gera violência, e nem precisa ser a própria vítima, basta ser informado. Se até o Prêmio Máximo da Paz é outorgado aos homens que praticaram atos mais violentos e criminosos contra civis inocentes, o que podemos dizer ao homem comum?...
Será que a humanidade jamais aprenderá a respeitar o seu próprio habitat, a sua própria família - humana e seus irmãos da natureza?
Existe Terrorismo Bom?
"Violência contra civis é uma tática horrível. Mas será que, no fundo, você não simpatiza com ela?
Rolihlahla criou uma milícia em seu país, apesar da oposição dos companheiros, que condenavam a violência. Ele vestiu-se com trajes militares, escondeu-se com seus homens na mata e distribuiu armas. Seu grupo começou a explodir bombas, sabotar fábricas, atirar em guardas desprevenidos e espalhar o pavor entre a população civil. Rolihlahla incitava a violência contra membros da elite e muita gente acabou sendo assassinada na onda de atentados que se seguiu. Até que prenderam Rolihlahla.
Sujeito horrível esse Rolihlahla, não é? Terrorista da pior espécie, não há dúvida. Por sorte, ele foi condenado à prisão perpétua. Aliás, talvez você já tenha ouvido falar dele. Ele é mais conhecido pelo nome inglês que adotou depois do batismo cristão: Nelson. Nelson Mandela (...)
Em 1993, Mandela pendurou no pescoço a medalha dourada do Prêmio Nobel da Paz. Mas espera aí, um Nobel da Paz para um terrorista? Pode? Claro que pode. Mandela não foi nem o primeiro nem o único terrorista agraciado com o prêmio mais importante do mundo. Também há diplomas da Fundação Nobel nas salas de estar de Menachem Begin e de Yasser Arafat. [nota: ambos hoje falecidos...]
Begin e Arafat têm trajetórias bastante parecidas – ambos dedicaram a juventude à luta pela criação de um Estado para o seu povo. Ambos explodiram bombas, mataram uma porção de civis e espalharam pânico. Ambos conseguiram chamar a atenção da comunidade internacional para suas causas graças à violência e acabaram escolhidos líderes de seus povos depois de abandonarem o terrorismo.
Por fim, ambos foram agraciados com o Nobel da Paz por conseguirem uma trégua no conflito que ajudaram a começar (...)
Begin, Arafat e Mandela não demonstram nenhum arrependimento pelos atos violentos cometidos no passado. Os três garantem que foram forçados a chegar a esses extremos por uma boa causa. Muito bem. Poucas causas são tão "justas" quanto a defesa da natureza. Ninguém que não seja muito inconseqüente ou politicamente incorreto é a favor da extinção de animais, por exemplo. Isso quer dizer que todo tipo de atentado pode ser cometido em nome dessa causa?
A ONG Sea Shepherd, por exemplo, costuma arremessar sua traineira contra baleeiros em alto-mar. Já afundou oito deles e não pretende parar. Sua tática é terrorista – espalha pânico entre os caçadores de baleias para fazê-los desistir da atividade. A Sea Shepherd nunca machucou ninguém durante os ataques, mas Paul Watson, seu fundador, em entrevista à Super, publicada em novembro de 2000, disse com todas as letras que não hesitaria em matar alguém se fosse absolutamente necessário para salvar uma baleia. "A sobrevivência da espécie é anterior aos direitos do indivíduo", afirmou (...)
"Sou totalmente a favor das causas ecológicas", afirma o sociólogo Gabriel Cohn, da Universidade de São Paulo. "Mas seja qual for a causa, ela não será vencida com violência. Se o McDonald’s tem um valor simbólico para os manifestantes ecológicos ou antiglobalização, é justo que alguém faça um protesto simbólico, com faixas ou pixações, por exemplo. No momento em que se fazem ataques reais, ameaçando vidas humanas, os manifestantes se colocam no mesmo nível dos celerados que derrubaram o World Trade Center", diz.
O historiador das religiões Philip Jenkins, da Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos, outro estudioso da violência, tem opinião parecida. "Nenhuma causa é boa o suficiente para justificar a morte de inocentes", diz. Jenkins estabelece um limite claro para separar as lutas legítimas do terrorismo condenável. Se civis têm suas vidas ou sua propriedade ameaçada, então o ato foi longe demais (...)
Pelo mesmo critério, também, a atuação dos Estados Unidos durante a Guerra Fria – apoiando o terrorismo de Estado na América Latina, financiando grupos terroristas de oposição em países comunistas como Camboja e Angola, e fortalecendo extremistas que viriam a se tornar terroristas, como o próprio bin Laden, no Afeganistão – é completamente condenável. Tal política foi conduzida pelo secretário de Estado Henry Kissinger (que, dias após o atentado de Nova York, afirmou que "tão culpados quanto os terroristas são aqueles que os apóiam, financiam e inspiram"). "Kissinger é o terrorista-mor", diz Cohn. Pois bem. O terrorista-mor, assim como Mandela, Begin e Arafat, também ganhou seu Nobel da Paz – em 1973, pelo fim da Guerra do Vietnã.
Será que isso quer dizer que, no mundo real, por mais condenável que seja, a violência é muitas vezes o único caminho contra um inimigo mais forte? Com certeza não. A história tem alguns exemplos de pessoas que se recusaram a matar inocentes em nome de uma causa. É o caso de Mahatma Gandhi, herói da independência indiana, que pregava a resistência pacífica aos colonizadores ingleses. (...)
Ao contrário dos terroristas Arafat, Begin, Kissinger e Mandela, Gandhi jamais ganhou o Nobel da Paz."
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E pelo andar da carruagem, muitos terroristas (declarados, ou travestidos de chefes de Estados) ainda serão premiados, e nenhum candidato para suceder Gandhi na luta pacífica pelos direitos humanos e da Natureza.
[nota: negritos são por minha conta]
Links:
- Cidadania, Política e Consciência Crítica:
. Congresso em Foco: O dia-a-dia do nosso Congresso Nacional;
. Observatório da Imprensa: Olhar crítico sobre a mídia
. Transparência Brasil: Política e políticos sob lente de aumento;
. Deu no Jornal: Banco de dados da corrupção no Brasil;
. Opinião e Notícias: Um jornalismo alternativo, de orientação liberal;
. Montbläat: Um jornalismo independente na net;
. Alberto Dines: Opinião deste isuperável jornalista em blog;
. Escritos Infames: blog do Teócrito Abritta, ambientalista, fotógrafo e escritor;
. Náufrago da Utopia: blog do jornalista Celso Lungaretti, ex-guerrilheiro dos anos de ditadura e eterno combatente das injustiças sociais;
. Humberto Laudares: blog muito lúcido sobre política e economia;
. Direitos Fundamentais: blog do George Marmelstein Lima, focando principalmente a filosofia do direito;
E as leis que devem fazer parte do nosso dia-a-dia:
. Código de Defesa do Consumidor: Lei Federal 8.078;
. Estatuto da Criança e do Adolescente: Lei Federal 8.069
. Estatuto do Idoso: Lei Federal 10.741;
. Lei de Crimes Ambientais: Lei Federal 9.605 (atenção para o artigo 32 que estabelece pena de detenção e multa para maltrato de animais!).
- Meio Ambiente:
. SOS Mata Atlântica: ONG com ações concretas e eficientes para salvar a Mata Atlântica;
. Greenpeace Brasil: ONG bastante atuante na defesa do meio ambiente e animais em perigo de extinção (embora meio fanática e agressiva...);
. Planeta Sustentável: portal de Abril e seus patrocinadores, com artigos e dicas para exercício de cidadania ecologicamente sustável;
. Envolverde: muito bom portal sobre meio ambiente e consciência verde;
. Portal das Energias Renováveis: tudo sobre o mundo da energia;
. Sustentabilidade: ambientalismo focado como negócio.
- Animais de Estimação e Proteção Animal:
. Saúde Animal: bastante útil para começar a entender os nossos animais de estimação e cuidá-los bem (cães, gatos, ferrets, aquarismo, etc);
. ANDA: Agência de Notícias de Direitos Animais - e-jornal em defesa dos animais;
. PEA (Projeto Esperança Animal): OSCIP com site bem detalhado sobre proteção animal e campanhas em todo o território nacional, sediada na Grande São Paulo;
. Beco dos Gatos: tudo sobre gatos, esse fantástico mas injustiçado animal de estimação;
. Gatos do Rio: mais informações sobre gatos, e adoção responsável dos gatos do Rio de Janeiro.
. Adote Um Gatinho: ONG semelhante a Gatos do Rio, porém sediada em São Paulo, SP.
- Culinária:
. Livro de Receitas: um dos sites com maior quantidade de receitas que já vi, para todos os gostos;
. Guia Vegano: receitas, ecologia e proteção animal - tudo num lugar só!
. Receitas Vegan: boas receitas para quem não pretende consumir proteína animal;
. Receita Passo a Passo: blog do Beto, um chef tão caprichoso nos seus posts que é impossível vc errar seguindo as suas receitas, simples mas super saborosas;
. Cantinho Vegetariano: blog da Elaine, onde se encontram excelentes e maravilhosas alternativas culinárias para quem precisa ou deseja deixar de comer carne e derivados.
- Laser, Entretenimento, Conhecimentos Gerais:
. AMG: o mais completo banco de dados sobre música (praticamente todos os estilos internacionalmente conhecidos) - em inglês;
. IMDB: tudo sobre o mundo de cinema - em inglês;
. Observatório: blog de astronomia, com belas fotos do mapa celeste;
. National Geographic: dispensa apresentação; este é original - em inglês;
. SuperInteressante: versão online da revista do mesmo nome;
. É Triste Viver de Humor: blog do Marcelo de Andrade, com charges de humor;
. Terceira Via Verdão: site mantido por torcedores do Palmeiras; eu não sou palmeirense, mas há excelentes artigos sobre o mundo do futebol;
. Futebol & Negócio: blog de vários colaboradores, focando o futebol como indústria do entretenimento.